Um dia desses recebi de uma das minhas fontes (jornalista investigativo tem dessas coisas…) a informação de que uma mãe, de vinte e poucos anos, teria reclamado no grupo da família do Zap, dizendo que ninguém quer ficar com seu filho de três anos para que ela possa ter um tempo para descansar.

Até ai, tudo bem. Sabemos que cuidar de uma criança pequena não é tarefa fácil e que uma rede de apoio é, se não indispensável (conheço muitos casais que moram longe da família e cuidam muito bem dos filhos sozinhos), no mínimo relevante.

A história tem alguns pontos importantes que merecem destaque:

Detalhe 1 – A referida mãe não trabalha fora e tem faxineira para ajudá-la a cuidar da casa.

Detalhe 2 – A criança passa boa parte dos finais de semana na casa dos padrinhos (que moram na mesma rua) ou com o pai, na casa dos avós.

A questão que quero levantar aqui é que muitas mães e pais jovens, principalmente aqueles que não fizeram um planejamento familiar, não estão realmente comprometidos com a batalha que é criar filhos. Mas por que isso acontece?

Ví uma pesquisa em algum lugar (nesse imbróglio que se tornou a internet) que mostra que o número de mulheres que se tornam mães pela primeira vez após os 35 anos cresceu cerca de 5 pontos percentuais desde 2010.

Segundo a pesquisadora especialista em fecundidade entrevistada pela reportagem, isso se deve ao aumento do nível de escolaridade e acesso à informação, bem como a fatores relacionados a projetos pessoais.

Ou seja, as mulheres estão tendo filhos cada vez mais tarde, porque têm mais acesso a informação sobre métodos contraceptivos e estão planejando melhor suas vidas e carreiras.

O que importa para o meu argumento nisso tudo é a conclusão que os casais mais velhos escolheram ter filhos. Eles querem isso. Sonham com isso e realizam quando estão melhor estruturados para tal. Os filhos não são meros acidentes de percurso.

Diferente dos mais jovens (principalmente aqueles de níveis de renda menores) que, muitas vezes, se vêem diante da árdua tarefa de criar um filho sem nem mesmo terem tido a chance de pensar sobre isso, de planejar, de querer.

Acho o ‘querer’ muito importante nessa questão de filhos, porque isso vai determinar a forma com que os pais vão lidar com a situação. Um pai que não queria ter filhos (pelo menos não naquele momento) vai enfrentar as dificuldades da criação de forma muito diferente do que o sujeito que sonhou, planejou e está diante da realização de um projeto de vida. Entendem o que quero dizer?

Por isso, se você não se sente preparado para ter filhos ainda, se entende que deve se preparar melhor até saber se é isso mesmo que você quer da vida, procure evitar uma gravidez indesejada com métodos contraceptivos (use camisinha!).

A palavra de ordem aqui é consciência.

Faça as coisas em sua vida de forma consciente. Se planeje, mesmo que na maior parte das vezes a realidade vai insistir em contrariar seus planos.

Quem não se lembra da música do Zeca Pagodinho… “deixa a vida me levar, vida leva eu”… pois bem. Está errado! Não deixe a vida te levar para onde você não quer ir coisíssima nenhuma.

Não estou dizendo que sou contra as pessoas terem filhos, muito pelo contrário. Só digo que é melhor se planejar e ‘querer’, do que colocar filhos no mundo para serem criados por babás ou terceiros, que não terão o mesmo cuidado com as crianças do que os pais.

Por isso entendo que esse movimento dos casais de terem filhos mais velhos, já perto dos quarenta anos (como é meu caso) pode ser uma coisa boa.

O que acham? Os comentários estão abertos. Fiquem à vontade (mas nem tanto…).

Até a próxima!

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