A geração nem-nem, formada por jovens que nem trabalham e nem estudam é um banho de água fria para pais e mães que sonham em ver os filhos vencerem na vida, mas até que ponto esse fenômeno, cada vez mais frequente nas famílias brasileiras, não é fruto da superproteção desses mesmos pais?
Muitos pais e mães confundem o conceito de ‘proteger’. Vamos ao dicionário para tentar tirar a dúvida sobre isso.
Proteger: dar proteção, amparo, ajuda material, assistência médica, etc.
Nesse sentido, é claro que nenhum pai quer ver o filho desamparado. A função de um bom pai é exatamente essa: prover os filhos com o necessário para que possam crescer e se desenvolver da melhor forma possível. Ajuda material está inclusa nessa conta também.
A questão é: até que ponto? Até onde um pai deve ir para não passar do “limite” e arriscar criar um filho dependente e que vai entrar nas estatísticas como nem-nem?
No meu caso específico, tive um pai que soube bem quando já era hora de dizer (mesmo que indiretamente), que já era hora de eu me virar sozinho. Não sei se foi instintivamente, ou se porque a geração dele tinha a cultura de criar os filhos dessa forma, provendo todo o necessário até certo ponto e depois dando aquele ‘empurrãozinho“ providencial para que a cria deixe o ninho e voe com as próprias asas.
O fato é que a geração de pais depois do meu pai, na qual me incluo, que hoje tem entre 35 e 50 anos, parece ter perdido essa capacidade de entender o momento certo de cobrar dos filhos que eles se virem por conta própria.
Não estou dizendo para ninguém sair expulsando os filhos de casa quando completarem 18 anos, não é isso. Mas percebo que os pais estão cada vez mais condescendentes com as vontades (ou falta de vontade) dos filhos. Isso pode estar criando a tal geração nem-nem.
Afinal, quem é louco de sair do conforto da barra da saia da mãe, quando ali tem de tudo e o mundo lá fora é uma selva? Por isso a necessidade de que os pais entendam que precisam deixar que seus filhos saiam de casa e se virem no mundão de meu Deus.
Que saibam que ali terão sempre um porto seguro, mas é preciso que voem livres e aprendam com os próprios erros.
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