dilema das redes

As redes sociais nasceram como uma forma de conectar pessoas, amigos, familiares, que viviam em lugares distantes e por algum tempo foram mesmo úteis para isso. 

Só que já faz um bom tempo que se transformaram em algo completamente diferente e perverso.

O problema todo está em duas características inerentes às redes que, de coadjuvantes, passaram a ganhar cada vez mais terreno (porque fazem com que os donos das redes ganhem dinheiro), até que passaram a tomar conta de tudo e se transformaram nos monstros que são hoje:

A mentira

As redes sociais se transformaram em terreno fértil para a dissimulação e a mentira. Elas são uma máquina de criar ilusões.

Tudo começou com a brilhante ideia de compartilhar momentos alegres e fotos bonitas. Até ai, nada demais. Só que isso se transformou em um vício. Mais do que isso, se transformou em um negócio. 

Compartilhar a vida perfeita e tentar vender a ideia de que você tem a solução para que seu seguidor também possa alcançar esse mesmo padrão é, não só mentiroso, como doentio e perverso.

Primeiro porque a tal vida perfeita dos “influencers” não tem lastro com a realidade. Eles também são pessoas que sofrem, que choram, que muitas vezes estão passando por problemas com a família ou com a própria saúde, mas tentam vender uma imagem de sucesso, de que vivem viajando e luxando, enquanto seus seguidores olham para as próprias vidas e percebem que ela está uma merda! 

Para ser mais claro: o influencer finge que tem a vida perfeita e o seguidor, que está roendo osso, finge que aquela vida é dele também. Que ele faz parte daquilo. Já que não pode ter para si mesmo, busca ‘participar’ das conquistas do ídolo. Só que para isso, ele precisa abrir mão da sua própria individualidade, além de abrir a carteira, na maior parte dos casos (porque os donos da rede social precisam ganhar dinheiro). 

O próprio influencer é um escravo da rede. Ele precisa trabalhar feito um burro de carga produzindo conteúdo sobre a própria vida, ou qualquer outra coisa sobre o que ele decidiu falar, sem ganhar quase nada por isso. Algumas redes, como o Tiktok e o YouTube ainda remuneram os criadores de conteúdo, mas essa remuneração, na maior parte das vezes, está bem abaixo das horas trabalhadas que o algoritmo exige para que a pessoa tenha o mínimo de “engajamento”. Ou você acha que todo youtuber ganha rios de dinheiro e vive de carão por ai?  

É ai que entra o segundo ponto perverso em toda essa farsa.

A comparação

O ser humano tem a infeliz mania de se comparar com os outros. E não adianta ficarmos repetindo frases de auto-ajuda barata do tipo “se compare com você mesmo ontem e veja como melhorou, ao invés de se comparar com os outros”. Essa frase traz uma verdade, mas é simples demais e não gostamos de coisas simples. 

O ser humano é complicado e gosta de coisas complicadas. Já reparou como as histórias mais estapafúrdias e malucas são as que mais nos atraem? Os golpistas sabem muito bem disso e não perdem tempo dizendo coisas banais. Quanto mais mirabolante, melhor para o sujeito acreditar… mas estou divagando. O que tudo isso tem a ver com as redes sociais?

A questão é que, por mais que você se compare com seu vizinho, ou com um primo, ou mesmo com seus irmãos, a probabilidade de você um dia vencer a disputa e estar melhor do que ele é de pelo menos 50%. Para alguns essa proporção pode ser maior ou menos, dependendo de quão inútil você é nesta existência. O fato é que você tem uma chance.

Mas e com as redes sociais? Quais são as suas chances?

Ai é que está! Sua chance contra o influencer endinheirado, produzido, trabalhado no marketing é ZERO!

Você (e principalmente seu filho) nunca vai ganhar essa guerra. E isso é uma merda, porque o buraco negro da depressão está logo ali… ao alcance de um post com migalhas de curtidas, ou uma live para uma multidão de dois ou três gatos pingados…

A solução

Como pai, me preocupo com a saúde mental do meu filho e acho que você também, ou pelo menos deveria…

Para mim a coisa certa a se fazer é deixar as crianças fora dessa geringonça chamada Redes Sociais. 

Se não quer proibir, pelo menos tente impor limites e vai preparando a saliva para muita conversa, orientação, falatório, discussões acaloradas… 

Prepare também o bolso, porque a conta do terapeuta costuma ser salgada. A conclusão de tudo isso é muito simples e posso resumir em uma única frase: não deixe as redes sociais destruírem a vida dos seus filhos. Simples assim. Mas como você é um ser humano e como eu disse acima, não fomos criados para verdades simples, não vai fazer nada. Depois não diga que não avisei.

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