cão pastor vigiando as ovelhas

Tive a ideia de criar esse espaço depois de receber a notícia de que este dia dos pais que passou seria meu primeiro. Minha esposa está grávida do nosso primeiro filho! 

Como nerd incorrigível que sou, comecei logo a devorar todo tipo de conteúdo sobre criação e educação infantil que encontrei pela frente, primeiro sem fazer muita distinção, mas logo percebi que tem muita porcaria woke sendo escrita por aí sobre o assunto, então tentei ficar mais seletivo e me assustei com o deserto de boas ideias e informação de qualidade que permeiam o assunto. 

Foi então que pensei em compilar eu mesmo o que achei de bom e útil, além do que já tinha em minha cabeça sobre como eu mesmo fui criado, as boas experiências que vivi e as não tão boas, para que pudesse trazer um conteúdo selecionado de qualidade para meus leitores. Ou ao menos uma leitora, minha esposa. Apesar de que já conto também com meu filho, que está a caminho. Não é possível que não vai querer ler o que o pai escreve. Se não quiser, já é uma prova de que fiz tudo errado… Por outro lado, acho que minha mulher é uma pessoa bem ocupada, não sei se terá tempo de ler as bobagens que escrevo. Mas tudo bem. 

Se ninguém quiser ler, ao menos servirá como um compilado para mim mesmo. Para que eu possa reler de vez em quando e rememorar as boas lições sobre como criar um filho… Ia dizer ‘como criar uma criança’, mas me lembre que isso é Deus que faz. Esses dias estava deitado com a cabeça na barriga da minha mulher, tentando ouvir o que se passa lá dentro com nosso filho, então pensei em como é impressionante o milagre da vida. Uma vida gerando outra. Não tem como isso ser mera biologia, mera ‘ciência’. Com certeza há uma força maior por traz disso. Ou alguém já viu uma máquina dando origem a outra máquina? Do nada, do zero… Faça-me o favor!

O que fazemos é educar pessoas. Por isso a necessidade de que tenhamos ainda mais cuidado com essa responsabilidade gigantesca que nos é colocada sobre os ombros. São nossos filhos os herdeiros da terra, como está escrito na Bíblia. Não sou um leitor voraz do livro sagrado do cristianismo, mas sei que de lá sairão muitas boas ideias e valores para serem compartilhados com nossos jovens herdeiros do mundo e que preencherão as páginas desse espaço.

Há alguns anos assisti ao filme “Sniper Americano” (2015), que traz uma cena emblemática que desde então não saiu da minha cabeça. Nela o protagonista, Chris Kyle, ainda garoto, está com medo de ser repreendido pelo pai, enquanto a família está reunida na mesa do jantar, por ele ter brigado na escola para defender seu irmão mais novo de outros garotos que judiavam dele. 

É nesse momento que o pai, com cara de bravo, diz a ele que existem três tipos de pessoas nesse mundo: lobos, ovelhas e cães pastores. 

Em seu livro “Entre lobos e cães pastores” (2024), Gabriel Sestrem explica assim a passagem do filme:

Na analogia, usada para explicar aos filhos a natureza humana e a importância de proteger os vulneráveis, o pai de Chris descreve os três tipos de pessoas no mundo: o lobo representa aqueles que são predadores, buscam fazer mal aos outros e não têm escrúpulos em ferir ou explorar os mais fracos. O cão-pastor é aquele que assume a responsabilidade de proteger as ovelhas, enfrentando predadores e garantindo a segurança do rebanho. Por fim, as ovelhas são as pessoas vulneráveis, que precisam de proteção.

Com essa metáfora, o pai ensinou sobre coragem, responsabilidade e compaixão – valores que Chris retrata ao longo do filme, quando adulto.

Eu sou louco por animais e mais louco ainda por ficção, então, até hoje me arrepio só de falar sobre essa cena de Sniper Americano. É um filme extraordinário, que indico para todos que gostam de bom cinema. Me lembro de tê-la achado sensacional na época. 

Agora, anos depois, me deparei com o livro “Entre lobos e cães pastores”, escrito por Gabriel Sestrem para a Gazeta do Povo (exclusivo para assinantes). Deixo aqui o link para quem se interessar. 

Nesse e-book ele traz essa analogia para o mundo da paternidade. Os pais ‘lobos’ são aqueles que criam mal seus filhos, são predadores que plantam sofrimento nesse mundo. Já os pais ‘cães pastores’ são o que todo pai deveria procurar ser: cuidadosos, protetores e bem intencionados na transmissão de valores e bons costumes para seus filhos. Achei a ideia genial e foi nela que me inspirei para o título desse primeiro post.

Claro que não vamos conseguir ser somente bons pais cães pastores o tempo todo. Teremos nossos momentos de lobo mau, não tenha dúvidas disso. Somos humanos, acima de tudo e como tal, erramos e muito. A questão é termos consciência de nosso papel na formação de nossos filhos e, como pessoas conscientes de nossa imperfeição, tentarmos fazer o melhor que pudermos, errando o menos possível.

Outra coisa que não me sai da cabeça, desde que recebi a notícia da paternidade, é sobre nossa missão nesse mundo. Nosso objetivo de vida. Sei que a filosofia já tentou esgotar, sem sucesso, esse tema por várias gerações, mas a minha humilde conclusão foi que nosso propósito de vida é criar nossos filhos para que eles sejam independentes e possam melhorar o mundo depois de nós. Isso tem muito a ver com uma programação pré existente em nosso chip cerebral, que vem de fábrica, que fala sobre a preservação da espécie. A continuidade dela é uma das coisas mais importantes do que chamamos de vida.

Não é muito difícil perceber que o que digo faz ao menos algum sentido. Já tentou bulir com um ninho de algum animal silvestre? Uma vez apareceu no quintal de casa uma gambá. Ela fez seu ninho em uma caixa de criação de pombos correios há tempos não usada. Foi lá que ela teve seus filhotes e defendeu-os com unhas e dentes (literalmente). Foi preciso chamar a polícia florestal e o corpo de bombeiros para remover a família gambá em segurança. A mãe gambá estava disposta a arriscar a própria vida contra inimigos bem mais poderosos do que ela, só para proteger sua prole. Isso deve querer dizer alguma coisa, não acha?

No mais, é isso. Vamos nessa luta de criar pessoas que farão deste mundo um lugar melhor. 

Fique a vontade para comentar e trazer ideias relevantes para nosso tema. A discussão tem tudo para ser boa e proveitosa para todos. Até a próxima!

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