criança com dificuldade em aprender

Um dia desses, um amigo de infância me relatou que seu filho adolescente foi diagnosticado com TDAH. Essa sigla está bem em voga hoje em dia e quer dizer Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. 

Eu conheço o garoto e, na minha humilde opinião de leigo, a doença que ele tem é outra, esta sim bem mais complexa de se entender e incurável, que acomete praticamente toda a população mundial que está entre 11 e 19 anos de idade: a adolescência.

Fiquei com essa questão na cabeça por dias e fui estudar melhor sobre o assunto e o que descobri foi mais chocante ainda. Está em curso uma epidemia de diagnósticos de TDAH em toda a parte!

O modus operandi é bem parecido com o que aconteceu com o filho do meu amigo. Primeiro o jovem começa a não ir tão bem na escola (que por si só já é uma máquina de triturar cérebros, mas isso é assunto para outra hora). Então a escola encaminha o aluno para um acompanhamento psicopedagogo. Um psicólogo entra em ação e depois disso os pais são chamados para que levem o filho ao médico. O diagnóstico é batata: TDAH.

Mas vamos analisar mais a fundo essa questão, porque realmente fiquei curioso com relação a essa nova epidemia.

O que é o TDAH?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica complexa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O diagnóstico preciso do TDAH é crucial para a implementação de tratamentos eficazes e para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos. Só que essa crescente taxa de diagnósticos tem levantado preocupações sobre a possibilidade de diagnósticos equivocados e o que isso pode significar para nossos filhos.

Por que os diagnósticos de TDAH podem ser enganosos?

  • Sobreposição de sintomas: Muitos dos sintomas do TDAH, como dificuldade de concentração, impulsividade e hiperatividade, podem se sobrepor a outros transtornos mentais, como ansiedade, depressão e transtorno bipolar. Essa sobreposição pode dificultar o diagnóstico diferencial e levar a um diagnóstico incorreto de TDAH.
  • Influência cultural e social: As expectativas sociais e culturais em relação ao comportamento infantil e adulto podem variar significativamente. O que é considerado hiperatividade em uma cultura pode ser visto como normal em outra. Essa variação cultural pode influenciar a forma como os sintomas do TDAH são percebidos e diagnosticados.
  • Pressão por diagnóstico: A busca por explicações para dificuldades escolares, comportamentais ou sociais pode levar pais e profissionais a buscar um diagnóstico rapidamente. Essa pressão por um diagnóstico pode levar a uma avaliação superficial e a um diagnóstico precipitado.
  • Falta de critérios diagnósticos precisos: Embora os critérios diagnósticos para o TDAH tenham sido refinados ao longo dos anos, ainda existem lacunas e áreas de incerteza. A avaliação do TDAH é um processo complexo que requer uma avaliação cuidadosa por um profissional qualificado.
  • Comorbidade: O TDAH frequentemente coexiste com outros transtornos mentais, o que pode tornar o diagnóstico e o tratamento mais desafiadores. É importante considerar a possibilidade de comorbidade ao avaliar um indivíduo com sintomas de TDAH.

Quais as consequências dos diagnósticos enganosos de TDAH?

  • Tratamentos inadequados: O uso de medicações e terapias para o TDAH pode ter efeitos colaterais significativos e pode não ser eficaz para tratar a condição  subjacente.
  • Estigmatização: O diagnóstico de TDAH pode levar à estigmatização e à discriminação, tanto na escola quanto no ambiente de trabalho.
  • Dificuldades de aprendizagem e sociais: Um diagnóstico incorreto pode levar a intervenções inadequadas e dificultar o desenvolvimento de estratégias eficazes para lidar com questões de aprendizagem e sociais.
  • Custos financeiros: O tratamento do TDAH pode ser caro, e um diagnóstico incorreto pode resultar em gastos desnecessários com medicamentos e terapias.

Como evitar diagnósticos enganosos de TDAH?

  • Avaliação completa: Uma avaliação completa do TDAH deve incluir uma história clínica detalhada, entrevistas com pais e professores, testes neuropsicológicos e, em alguns casos, exames de imagem.
  • Diagnóstico diferencial: É fundamental considerar outros transtornos mentais que podem apresentar sintomas semelhantes ao TDAH.
  • Múltiplas fontes de informação: A avaliação do TDAH deve ser baseada em informações provenientes de múltiplas fontes, como pais, professores, médicos e psicólogos.
  • Tratamento individualizado: O tratamento do TDAH deve ser individualizado e adaptado às necessidades específicas de cada indivíduo.

Conclusão

Não há dúvidas de que tem muita gente sendo diagnosticada erroneamente por ai, muitas vezes para manter pais zelosos reféns de profissionais que querem ter uma lista de clientes mais polpuda, se é que me entendem.

Não estou dizendo que todos os profissionais da área são trambiqueiros, mas que existe muita gente ruim por aí, isso existe. Quem negar isso, está sendo inocente ou está querendo enganar alguém.

É importante estar atento aos riscos de diagnósticos enganosos e buscar uma avaliação completa e cuidadosa por um profissional qualificado.

Então, se você é pai e está preocupado com o baixo rendimento dos seus filhos na escola, procure entender por que isso está acontecendo e se pergunte se você não tem alguma culpa no cartório, como o fato de estar ignorando sinais que seus filhos querem te mostrar. 

Pode ser que tudo não passe de uma forma de chamar sua atenção, ou mesmo que seu filho esteja com muita energia acumulada, porque leva uma vida sedentária, assim como o pai… Pode ser, porque não? Se a carapuça serviu, é hora de tomar uma atitude e tomar as rédeas da situação.

*Vale ressaltar que este texto tem caráter de opinião e não substitui a consulta a um profissional de saúde.

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