floresta sombria

Há maldade no mundo. Isso é um fato incontestável, mas que muitos preferem ignorar, não por burrice, mas por pura ingenuidade. E sobre a dualidade entre guerra e paz? Há guerra onde deveria haver paz. Não é difícil entender isso. Mas será mesmo que podemos viver em paz? O homem foi criado para sobreviver em um mundo inóspito.

As pessoas tendem a acreditar no bem, em que tudo vai dar certo. É mais fácil viver assim.

Não é culpa delas, claro. Nosso cérebro foi programado para minimizar as coisas ruins da vida, ou não conseguiríamos nem mesmo sair da cama pela manhã para enfrentar o dia.

O mundo é cruel e hostil, independente do que você pense e do quão sensível você é. A geração atual, hoje na faixa dos vinte e poucos anos, foi criada por pais da minha idade (mais para a casa dos quarenta), que tentou protegê-la de tudo e de todos. 

O bullying na escola virou uma questão de vida ou morte. Mas será que essa implicância entre as crianças não servia para forjar o caráter e preparar nossos filhos para o mundo cruel?

“Ah não, meu filho não vai sofrer o mesmo que eu sofri”.

Essa frase parece bem intencionada, mas carrega uma armadilha mortal. O sofrimento é inerente à vida, ao mundo hostil e cruel em que vivemos. E não estou falando da sociedade que criamos, não. 

O planeta terra, nossa casa, não é bem uma casa, se você olhar bem de perto. Nossas casas são as estruturas que criamos, obras de engenharia, que nos ajudam a viver melhor nesse planeta. A terra em si é uma selva. E o ser humano não veio preparado para ela.

Às vezes observo meu cachorro. Tenho um pastor alemão. Como ele é mais bem preparado e adaptado para a vida neste planeta do que eu. Corre mais, é mais forte, pula mais alto, já vem armado com dentes afiados e uma mordida potente… Nós, humanos, somos fracos e vulneráveis.

A vida deve ser entendida como uma guerra, não como um conto de fadas.

Grande parte da população parece ser inocente e não acreditar no mal (principalmente no “mal extremo”). Muitos preferem acreditar em narrativas agradáveis aos ouvidos. A palavra conflito gera repulsa (mesmo conflitos que não são físicos). Guerra então, nem se fale. 

As pessoas preferem perder alguma coisa em troca de uma suposta tranquilidade, do que ter que brigar (mesmo que não seja fisicamente). 

Isso nos foi colocado goela abaixo desde pequenos. Viver em paz, fazer a paz e não a guerra, não entrar em conflito, aceitar, dar a outra face. Tudo isso vem sendo martelado na nossa mente há gerações e é uma ideia limitante. 

Esse conceito nos impede de lutar pelo que é melhor para nós, de reclamar quando nossas liberdades individuais são atacadas. Nos constrangem a abrir mão de nossa liberdade por uma suposta “proteção” estatal. Que, para mim, tem mais cara de escravidão.

O ocidente se envolveu em muitas guerras e venceu a maioria, até por isso estamos aqui hoje. Mas guerras são impopulares e a opinião pública vai atacá-las com toda a força, mesmo que existam guerras necessárias de serem travadas, como as guerras contra nações invasoras ou mesmo contra impérios assassinos (veja o caso da guerra contra o nazismo). 

O que se chama de ‘segunda guerra mundial’ foi, sim, uma guerra contra o mal, que existe e não foi exterminado ali. Nunca será, completamente, mas não é por isso que devemos parar de combatê-lo, ou mesmo fechar os olhos para ele.

Muitas pessoas preferem viver como gado mesmo e seguir a moda ou a maioria. Prefere acreditar em “milagres” e que “tudo vai dar certo”. 

Isso é inocente, mas compreensível, por tudo o que já falamos aqui. Só que não é possível que os bons deixem o mal vencer só porque a guerra é uma coisa feia.

“Si vis pacem para bellum” (se quer paz prepare-se para a guerra)

Não estou aqui fazendo uma apologia à guerra, não é isso. Melhor mesmo se elas não existissem e pudéssemos viver em paz. Infelizmente a realidade insiste em contrariar nossos sonhos mais utópicos.

Então, o melhor é escolher bem as guerras em que vai entrar. E se entrar, certifique-se de que vai dar seu melhor e vencer. 

A guerra de Israel contra os terroristas do Hamas e do Hezbollah é um exemplo. O grupo terrorista que atacou covardemente uma nação soberana em seu próprio território é o mal. Não é porque são fracos, ou se mostraram o lado mais fraco quando o bicho pegou, que devem ser os coitadinhos na história. São maus e devem ser eliminados. Não dá para ter peninha desse tipo de gente. O ocidente precisa vencer, para seu próprio bem, para nosso próprio bem. 

Essa é uma questão complicada, sei disso. O fato é que a maioria das pessoas não é afeita a reflexões profundas e indigestas e é altamente susceptível a discursos superficiais, simplificadores, falaciosos e ilusórios.

Aceitar que existem pessoas más, que elas estão entre nós e que devem ser combatidas pelos bons é o primeiro passo para garantir a sobrevivência da civilização ocidental e garantir um futuro digno e pacífico para nossos filhos. 

Pode ser que isso não exista e paz seja apenas uma ilusão a ser perseguida, mas não é fechando os olhos para o mal que poderemos chegar o mais perto possível desse objetivo.. 

Conclusão

Em um texto magnífico para a Gazeta do Povo, Paulo Briguet conclui, por meio da análise da história de Caim e Abel, que a sociedade humana como a conhecemos, foi fundada por um psicopata. O mal estava presente desde a gênese, então e bom estarmos atentos para combatê-lo, ao invés de fechar os olhos e fingir que ele não existe.

Os inimigos batem à porta, como aconteceu com o império romano. Resta saber se teremos forças para combatê-lo ou se vamos sucumbir, como aconteceu com nossos ancestrais da península itálica.

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